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Registro Eletrônico em Saúde e vulnerabilidade de sistemas de dados são temas do terceiro dia de palestras do HIMSS@Hospitalar Fórum

Avaliação do Usuário

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Para engajamento da classe médica é preciso despertar o sentimento de utilidade, somado ao compartilhamento de informação, treinamento e melhoria dos processos e sistemas

Com a presença do diretor do Departamento de Monitoramento e Avaliação do SUS (DEMAS), Joaquim Costa, a palestra de abertura do terceiro dia do HIMSS@Hospitalar Fórum “Status do Projeto de RES Nacional pelo Ministério da Saúde” abordou sobre a importância do sistema RES – Registro Eletrônico em Saúde para o compartilhamento de dados clínicos, redução e custos, rapidez e precisão no diagnóstico.  “Com a disponibilização dos dados haverá, certamente, uma melhoria na gestão e nas políticas públicas”, afirma Costa.

Atualmente estamos diante de um sistema que favorece falhas e que ainda não preza a interoperabilidade. Com isso, o acesso a dados clínicos do paciente é limitado, há uma redundância de custos com a refação de exames muitas vezes desnecessários e a reincidência de doenças que poderiam ter sido acompanhadas previamente.

Idealizado pelo ministro da Saúde Ricardo Barros, a ideia de criar um ambiente de compartilhamento de dados que possam aprimorar os trabalhos desenvolvidos no atendimento prestado pelo SUS, contribuindo, inclusive, para a gestão governamental.

A estratégia do e-SUS é reestruturar os sistemas de informação em saúde por meio da informatização dos processos de trabalho que garanta o fluxo de informações adequado para a otimização dos serviços, das redes de atenção e da gestão propriamente dita.

“É preciso que o mercado conheça a fundo os modelos disponíveis para um melhor planejamento e assertividade no desenrolar das ações”, explica Costa. “Nosso objetivo é que ainda em 2017 tenhamos o projeto funcionando em sua totalidade”, diz.

Na sequência, falando sobre “Os desafios na implementação de redes de troca de informação em saúde no Brasil”, Davi Souza Gonçalves, gestor de TI da Unimed Ceará explicou que no RES constam informações como dados demográficos e administrativos, ordens de medicação, exames, procedimentos, resultados de exames e imagens, documentos clínicos, alegrias, sumário de alta, procedimentos, agendamentos e outros.

O executivo salienta que para o sucesso do RES é preciso que haja alguns fatores mandatórios, a começar pelo envolvimento da equipe médica, que deve ter o treinamento adequado e sentir a real utilidade do mesmo para ser engajado. “Campanhas que salientem a usabilidade do sistema são válidos”, ressalta. Já quando a questão se refere às soluções do RES, Gonçalves cita que o sentimento de utilidade, somado ao compartilhamento de informação, treinamento e melhoria dos processos e sistemas, com a certificação do HIMSS, são essenciais.

Igor de Carvalho Gomes, do Departamento de Atenção Básica (DAB) /Secretaria de Atenção à Saúde complementa as informações citadas por Gonçalves observando, ainda, que o cenário da interoperabilidade ainda está em fase experimental e ainda permeado de desafios, mas muito já se avançou acerca do tema. “O propósito central é aliar a informatização com a conectividade de modo a melhoras o registro clínico e a segurança do cidadão”.

Mas será que estamos prontos para a interoperabilidade? Em sua apresentação, o International Interoperability Expert e um os diretores do HIMSS, Michael Nusbaum afirma que sim, ainda que tenhamos um longo caminho a percorrer. Sua apresentação teve como tema “Conectando a saúde globalmente: estamos prontos?”. Para Nusbaum, o elemento-chave para o sucesso e para reformar os cuidados básicos com a saúde é que a interoperabilidade seja disponível para ser utilizado em qualquer lugar do mundo e que seu desenvolvimento foque na visão e futuro, da interconectividade, onde o paciente está no centro do cuidado.

Tornar o EHR mais inteligente com o conteúdo correto, palestra conduzida pela OhD Clinical Specialist EMEA/LA Health Solutions, da Elsevier, é um dos grandes problemas a ser contornado, pois quando é muito utilizado gera massa de dados de forma explosiva. Assim, o desafio para a área médica está em separar, entender e utilizar os dados mais relevantes. “Diminuir a variabilidade nos cuidados com pacientes é uma das principais ferramentas para diminuir erros médicos”, explica a executiva.

As Soluções de Apoio a Decisão Clínica (CDS, sigla em inglês) fornecem informações atuais, confiáveis e baseadas em evidências diretas ao ponto de atendimento a médicos, enfermeiros, profissionais de saúde no geral e pacientes. Assim, as "melhores abordagens" podem ser consideradas em todos os momentos e em todas as configurações dos cuidados aos pacientes. "Não significa que os profissionais de saúde não devam usar sua formação e experiência nas recomendações. No entanto, é importante que considerem a utilização de informações atuais, confiáveis, baseadas em evidências ao tomar decisões de saúde", explica.

Já o debate que reuniu CEO e CIOs de importantes instituições de saúde ainda sobre a segurança e privacidade “Como manter o CIO fora da primeira página”, teve como speakers o CEO da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, Eduardo Queiroz, o diretor do Hospital da Unimed RecifeIII, Fernando Cruz, a CIO da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Lilian Quintal Hoffmann e o CIO do Hospital São Camilo de São Paulo, Klaiton Simão. Moderados pelo membro da ABNT CEEIS-78 WG4, Luís Gustavo Kiatake, discorreram sobre a importância de antecipar-se a ataques cibernéticos que comprometem o atendimento a pacientes e a uma eficaz governança corporativa. “O preocupação com a segurança de dados no Brasil ainda é baixa e pode impactar na perda de recursos financeiros e até mesmo clientes”, pondera Queiroz. “A mancha na imagem é um dos principais problemas no curto prazo”, diz.

Torna-se cada vez mais necessário, na visão dos speakers, que os hospitais e demais entidades de saúde se unam compartilhando informações de cunho clínico – e não de negócios – a fim de resguardar-se e unir forças para evitar ataques virtuais.

Amanhã, último dia de evento, estão em pauta as verticais: Consumerization Healthcare, Pharma Demand-driven e Paperless Environment: Assessment, Barriers, and Value.  Empresas como Healthways, Axismed Telefonica, Abbott e os Hospitais São Camilo, BP e  Hospital Santa Paula, entre outros, estarão presentes.